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Império do Mármore

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Império do Mármore

Império do Mármore

Na rua, a temperatura rondava os trinta graus; no coração, zero absoluto. Falava-se de um novo inferno que viria, mas ninguém parecia se importar. O mundo, num afã de movimentos apressados, desaguava num abismo sem nome. Os inimigos estavam lá, com suas lâminas cegas, e, no entanto, restava uma dúvida: por que insistir naquilo tudo?

Caminhava-se pela vida, um passo após o outro, um gesto após o outro, até que o amor se tornava apenas uma questão de sobrevivência. Ninguém mais falava de redenção. Se alguém chegava aos sessenta anos, a resposta era simples: a vida já havia consumido todas as possibilidades, o que restava era a memória. Uma memória amarga, que se transformava num império de mármore.

Deus estava morto, a arte estava morta, e a morte caminhava com as mãos vazias, sem promessas. E assim, no último suspiro, o homem perguntava-se: quem se lembra de quem? O que ficou de tudo aquilo? E, no fim, restou o império sem súbditos — um império que apenas refletia a própria inexistência.